Nessa semana tivemos mais provas do que já tínhamos certeza: a camisa do Flamengo é a maior vitrine do país. Depois de uma entrevista do departamento de marketing divulgando que os patrocinadores do último ano tiveram um retorno na casa do bilhão e de uma reportagem do Lance! trazendo que o Manto Sagrado foi, com bastante folga, a camisa mais vendida do país no último semestre (reforçando a tendência dos outros semestres), temos ainda mais argumentos pra embasar esse fato. Se tratando de exposição no futebol, o espaço máster de nosso uniforme lidera as estatísticas, e a manga vem em terceiro lugar. Patrocinar o Flamengo é, sem margem de dúvida, a garantia de sucesso publicitário.
Com todo esse patamar e com toda a lógica empreendedora, sem mencionar ainda os “loucos” empresários que torcem para o Flamengo (ao exemplo dos patrocinadores do Palmeiras), não consigo entender como podemos passar pelo segundo mês do ano sem preencher alguns dos espaços mais nobres da camisa. Já conhecemos a gestão o suficiente pra espantar qualquer palpite de má administração, mas quero também relembrar um dos pontos altos da campanha.
No último pleito, o antigo e brilhante titular de finanças, Rodrigo Tostes, declarou que o ano seria sombrio para o futebol – destaco bem, para o futebol como um todo, e não só para o Flamengo. A questão é generalizada, e a crise está escancarada. Tostes jogou a expectativa por patrocinadores pra baixo, o que foi visto por muitos como realista. A atual gestão, entretanto, discordou. Alegou conversas adiantadas e possíveis substitutos. Estavam otimistas, e trataram de tranquilizar a Nação.
Realmente, as conversas ocorreram. Se foram adiantadas ou não, já não posso dizer. O fato é que antigos patrocinadores saíram, e os substitutos, embora ainda em diálogo, não chegaram. Por mais que se encontrem desculpas, o cenário previsto por Tostes está aí, diante dos nossos olhos. Mesmo que encontrem um patrocinador, cada dia que se passa é uma barganha a menos pra conseguir bons valores. Quase 20% do ano já se passou, e imaginem perdermos esse montante de um patrocínio. É algo irrecuperável, e nem de patrocínios pontuais nos beneficiamos, atualmente.
O cenário é sim desfavorável e já havíamos sido alertados do risco pela “oposição”. Quem teve ímpeto para discordar, entretanto, agora não mostra com que pau matou a cobra. O fato é que só será aceitável o Flamengo não ter um patrocinador na camisa quando todas as outras equipes do futebol nacional também estiverem sem nenhum. Não se justifica, principalmente porque muitos não aceitaram migalhas e negociaram bons acordos.
A gestão tem muitos méritos administrativos, tantos que nenhuma outra diretoria em nossa história teve os mesmos. Mas os erros tem que ser reconhecidos… e esse é um deles. Dinheiro perdido não volta mais. Se o problema for a pouca importância dos campeonatos que disputamos nesses primeiros meses, então acordos pontuais deveriam ter sido selados. Só não há desculpa pra falta de ação.
Fonte: Coluna do Flamengo

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