Flamengo x Corinthians e a hora de mudar

(Foto: Gilvan de Souza)

Novo jogo, novo adversário e o mesmo de sempre. O desanimado e pouco criativo Flamengo de Zé Ricardo enfrentou o líder Corinthians, na Arena Corinthians, e saiu com um empate em 1x1. O resultado, péssimo para o rubro-negro, manteve a diferença de 12 pontos entre os times e escancarou, mais uma vez, as diversas falhas e problemas que o Mais Querido vem enfrentando, jogo a jogo.

O Jogo
O primeiro tempo foi todo do alvinegro. Mais lúcido em campo e com um time movimentando-se bem entre defesa e ataque, foram os donos da casa que pressionaram e, aos 12', marcaram, em gol mal anulado de Jô. Aos 21', Jô recebeu lançamento, ganhou de Pará na corrida e chutou cruzado no canto esquerdo de Diego Alves. 
Corinthians 1x0. O time paulista passou a controlar o jogo, entregando a posse para o Flamengo e armando-se bem defensivamente, preparado para o contra-ataque. No entanto, o primeiro tempo permaneceu sem mais alterações no placar.

A segunda etapa começou como terminou a primeira. A alteração de Zé Ricardo, com a entrada de Willian Arão no lugar de Cuéllar, transformou o time rubro-negro, antes extremamente pragmático, em mais incisivo. Aos 5', Diego deu passe sensacional para Guerrero, que se antecipou aos zagueiros e, por pouco, não tocou na bola. O Corinthians respondeu, 4 minutos depois, em chute cruzado de Arana que passou por toda a área rubro-negra e por Jô, que chegou atrasado na jogada. Aos 11', Juan aproveitou o escanteio cobrado e testou firme, forçando Cássio a fazer grande defesa.

Com o recuo gradual do Corinthians, que se armava para os contra-ataques, o Flamengo cresceu no jogo. Aos 24', Trauco deu lugar a Berrío. No mesmo minuto, escanteio cobrado por Pará, ajeitada de cabeça de Juan e voleio de Réver para empatar a partida. Golaço e tudo igual no placar. Cada vez mais ofensivo e empolgado com o gol, o Mais Querido se lançou ao ataque. Aos 28', grande jogada de Berrío com Arão e Diego, sozinho com Cássio, mandou por cima. O Flamengo continuou pressionando e, aos 43', não virou a partida por muito pouco, em cruzamento de Berrío que, após ser desviado por Pedro Henrique, explodiu no travessão de Cássio. Um minuto depois, contra-ataque alvinegro e Diego Alves fez grande defesa em chute cruzado de Jô. O clube da Gávea teve 4 minutos de acréscimo mas nada conseguiu fazer e o placar permaneceu empatado.

Análise
A olhos leigos, um empate fora de casa contra o invicto líder Corinthians não é um mau resultado. E não seria, caso a diferença entre os times não fosse de incríveis 12 pontos. O primeiro tempo rubro-negro foi péssimo. A posse de bola pragmática e inútil, que tem se tornado marca registrada do Flamengo de Zé Ricardo, esteve presente em quase toda a primeira etapa. Possivelmente a par da falta de criatividade rubro-negra, o Corinthians de Carille pressionou no início e, após abrir o placar, entregou a posse para o Flamengo, cuidando apenas de sua parte defensiva e estando atento para os constantes cruzamentos. Com isso, o clube da Gávea foi facilmente neutralizado e o primeiro tempo resumiu-se no toque de bola entre os zagueiros e volantes, sem objetividade e movimentação, que estamos acostumados a ver.

A segunda etapa foi melhor, muito por conta do recuo corinthiano. Zé Ricardo acertou com a entrada de Willian Arão e Berrío. O primeiro pareceu ter descansado a cabeça com os jogos no banco e voltou fazendo o que sabe fazer de melhor: Infiltrar na área adversária e triangular com Pará. A entrada de Berrío, logo depois, contribuiu ainda mais para a eficiência do lado direito do ataque rubro-negro. Por ali, inclusive, saiu a jogada mais bem trabalhada pelo time no jogo, que resultou no chute isolado por Diego. Berrío deu velocidade e eficiência para o lado direito, antes completamente mal utilizado. O colombiano foi um dos grandes nomes do Flamengo na partida e mostrou, mais uma vez, que está em ascendência e merece oportunidades no time principal. A entrada de Vinícius Júnior, no lugar de Diego, também merece ser destacada. Com menos de 10 minutos em campo, o garoto realizou algumas boas jogadas e trouxe parte da objetividade que o time sentia falta. Contra defesas cansadas, Vinícius parecer ser sempre excelente pedida e somou mais uma boa entrada em seu currículo.

Diego Alves 


(Foto: Gilvan de Souza)

Fez sua estreia hoje, sob toda a expectativa gerada entorno de sua chegada. Mal no primeiro gol sofrido mas com uma boa defesa nos instantes finais da partida, Diego Alves precisa de tempo. Deve-se lembrar que o goleiro veio de suas férias e entrou no meio de uma temporada corrente. É natural que erros de posicionamento, como o do primeiro gol, aconteçam. Ainda assim, o goleiro mostrou habilidade ao ser pressionado e driblar, por duas vezes, os atacantes corinthianos além de trazer segurança para um fragilizado sistema defensivo. A reposição de bola do camisa 1, por sua vez, é nada menos que excepcional. Em dois ou três lances o goleiro iniciou ataques, com Diego e Éverton, direto de sua meta. Com a importância cada vez maior de um goleiro participativo no futebol moderno, o Flamengo acertou em cheio ao trazer Diego Alves e, finalmente, o problema da meta rubro-negra parece estar resolvido.

Mesmo com os bons pontos destacados e o crescimento no segundo tempo, o time ainda deveu. O lado direito acertou-se com a entrada de Arão e, posteriormente, Berrío. No entanto, o time era desorganizado em todo resto do campo. Pouco imaginativo, rodando a bola a esmo e mal até mesmo nos contra-ataques. O Flamengo era lento, parecia estar uma marcha atrás do time corinthiano. Com o dia pouco inspirado de Guerrero, Diego e Éverton Ribeiro, o time não tinha a organização necessária para suprir a ausência das individualidades que tem salvado as últimas partidas. Apesar disso, o Mais Querido conseguiu pressionar os donos da casa, empatar o jogo e ter chances claras de virar, além de propiciar pouquíssimas chances de gol ao adversário. Momentos como esses mostram que a equipe tem muito mais a entregar do que o futebol atual. O potencial do elenco é enorme, a ponto de ser inadmissível estarmos 12 pontos atrás da liderança. E o Departamento de Futebol deve realizar as mudanças necessárias o mais rápido possível.

Nos últimos dias, em entrevista para a Fox Sports, o presidente Eduardo Bandeira de Mello disse ter seus “protegidos” dentro do elenco, sendo esses os jogadores mais criticados pela torcida. A declaração, como se era de imaginar, foi muito mal recebida pela Nação e levantou mais dúvidas sobre a tão falada meritocracia no elenco. Jogos como esse, contra o Corinthians, colocam na cabeça do torcedor que o time pode e deveria estar em um estágio muito melhor que o atual. Todo o trabalho financeiro realizado, todos os anos de paciência da torcida e todos os investimentos deveriam resultar em um time forte, competitivo e que trouxesse títulos. Não é o que vemos. É claro, não está tudo perdido. Com um trabalho correto, sério e que mostre evoluções, o céu será o limite para a equipe rubro-negra. Mas será que, com essa atual mentalidade da diretoria, esse trabalho é possível? Será que todos os erros e vexames protagonizados pelas últimas equipes do Flamengo são vistos e sentidos somente por nós, torcedores?

A partida contra o Corinthians foi mais uma daquelas para entrar na lista do “quase”. O Flamengo quase ganhou do Corinthians, líder invicto do Brasileiro, em casa. O Flamengo quase e o jogo contra o Grêmio, na Ilha do Urubu. O Flamengo quase classificou-se para o mata-mata na Libertadores. O Flamengo quase foi campeão Brasileiro em 2016. Chegou a hora de sair do quase e voltar a ser, de fato, vencedor. O Flamengo é grande, gigante, o maior do Rio e do Brasil. Não podemos nos contentar com “quase”. A diretoria teve o tempo necessário para organizar as finanças e fortalecer o futebol. Zé Ricardo teve o tempo necessário para se estabilizar no cargo e montar um time que fosse competitivo. Os jogadores mais criticados tiveram oportunidades suficientes para demonstrarem sua qualidade. O sentimento de derrota e desânimo é crescente. Chegou a hora das coisas acontecerem. E se elas não acontecerem com os atuais atletas, treinadores e cartolas, que se procurem aqueles que sejam capazes de elevar a qualidade atual. O Flamengo é maior que todos os jogadores, sejam eles craques – como Diego e Guerrero – ou “protegidos”. E o Urubu precisa e deve voltar a voar mais alto no céu. A mentalidade deve ser sempre essa.

O próximo compromisso rubro-negro é quarta-feira (2), no confronto contra o Santos, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro. A nós, resta torcermos para que tudo melhore e a glória volte a habitar a Gávea. Pois, como diz a música, “mesmo no pior momento, vou te apoiar até o final”. Vamos, Flamengo!

E você, o que achou do empate contra o Corinthians? Deixe sua opinião nos comentários!

Saudações Rubro-Negras!

Pedro Santos - @Pedro_HRS







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