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| (Foto: Gilvan de Souza) |
Gustavo Cuéllar chegou ao Flamengo em Janeiro de 2016. Se destacou no Deportivo Cali, da Colômbia, e estourou ao ser emprestado para o Júnior Barraquilla, também da Colômbia. Devido ao seu bom ano de 2015, chamou a atenção da diretoria da Gávea e foi contratado. Imediatamente titular, foi um dos poucos bons valores encontrados no caótico time de Muricy Ramalho. Com a saída de Muricy para a entrada de Zé Ricardo, somado a uma lesão no tornozelo, o colombiano perdeu espaço no time titular e fechou a temporada de 2016 na reserva. O ano de 2017, no entanto, tem sido proveitoso para o camisa 26, que vive, atualmente, sua melhor fase com a camisa rubro-negra.
A 'volância' rubro-negra tem sofrido duras críticas ao longo dessa temporada. Rômulo, contratado no início do ano, assumiu a titularidade mas sofreu com lesões e não convenceu. Márcio Araújo reconquistou seu lugar no time principal com algumas boas partidas mas, rapidamente, voltou aos costumeiros erros de passe, à sua passividade ofensiva e às inexplicáveis desistências de cobertura. Enquanto isso, Ronaldo, jovem promessa da base, teve algumas oportunidades entre os profissionais – a maior parte delas, com os reservas –, mostrou potencial mas é constantemente preterido por Zé Ricardo.
Mesmo com os diversos problemas dos primeiros volantes da Gávea, a baixa de outro jogador foi necessária para que o espaço surgisse para Cuéllar. Willian Arão, importante no ano passado e com atuações que o levaram à Seleção Brasileira – e o fizeram receber elogios de Tite –, teve uma queda brusca de rendimento. Se o melhor momento do meio campista pelo Mais Querido pode ser caracterizado pelo bonito gol contra o Santa Cruz, em Pernambuco, pelo Brasileirão 2016, seu pior momento é resumido pelas últimas atuações. Pouco intenso tanto no ataque quanto na defesa, Arão, apesar da insistência de Zé Ricardo, perdeu, eventualmente, seu lugar no time. E a entrada de Cuéllar, seguida da melhora de performance do time, comprovaram o quão acertada foi a troca realizada.
As razões para a súbita queda de rendimento de Arão são várias. Ao lado de Márcio Araújo, que pouco participa quando o time tem a bola, cabia a Arão ajudar na saída de bola e, ao mesmo tempo, procurar se infiltrar e atacar a linha de defesa adversária. Executar duas funções ao mesmo tempo, tendo apoio de seu companheiro apenas no momento defensivo, pode explicar parte da situação do camisa 5. Mesmo assim, é visível que a má fase de Arão vai além dos aspectos técnicos e táticos dele exigidos. Falta garra e vontade. Falta, a ele, aquela corrida a mais, aquele carrinho para evitar a saída bola, a vibração ao realizar um desarme importante. Arão, por algum motivo, parece distante e pouco motivado. Erra displicentemente com uma constância que não era vista em seu início e em sua melhor fase. E os aspectos psicológicos devem ser trabalhos pelo jogador e pelo clube, para que ele possa voltar a render seu máximo – ainda mais tratando-se de um jogador de suma importância para o clube na temporada passada. Como diz-se entre os boleiros, “ninguém desaprende a jogar bola”. Cabe a Arão encontrar o elo fraco da corrente e substituí-lo para voltar a ser proveitoso pela equipe.
Cuéllar, por sua vez, é um volante técnico mas não é, de modo algum, um Vidal, Modric ou Kroos rubro- negro. O colombiano tem bom passe e, talvez, a melhor visão entre todos os volantes do elenco. Consegue ser agudo quando é preciso, sempre procurando os companheiros melhores posicionados e que possam dar seguimento à jogada. Cuéllar é objetivo, não burocrático como vinha sendo Arão e como é Márcio Araújo. Com o camisa 26 em campo, um dos grandes problemas do time começou a ser resolvido: a saída de bola. Ocupando a função de primeiro volante e se posicionando entre os zagueiros, Cuéllar tem a responsabilidade de iniciar o jogo rubro-negro – função essa antes designada a Márcio Araújo, agora posicionando-se mais como um segundo volante. Réver e Rhodolfo, portanto, deixam de ser os primeiros a iniciarem as jogadas, como acontecia anteriormente, e passam essa responsabilidade para o colombiano. Diego não precisa voltar até os zagueiros para buscar a bola, iniciar as jogadas e se apresentar para a definição, como tem feito constantemente. Com Cuéllar em campo, o camisa 35 tem menor responsabilidade na saída de bola e pode se preocupar com a armação e definição das jogadas.
Além disso, Cuéllar vem deixando para trás a fama de pouca efetividade no desarme. Em apenas 6 jogos pelo Brasileirão, o colombiano soma 23 desarmes, média de 3,83 por partida e 92% de aproveitamento no fundamento. Para efeito de comparação, Márcio Araújo, que divide a liderança de desarmes do Flamengo no Campeonato Brasileiro com ele, precisou de 11 jogos para alcançar o mesmo número, tendo média de 2,09 desarmes por partida. Já Willian Arão, substituído por Cuéllar, soma 17 desarmes em 9 jogos, com média de 1,88 por partida. O colombiano ainda possui aproveitamento de 97% nos passes, melhor índice entre todo o elenco. As suas boas atuações foram premiadas contra o Santos, na vitória por 2x0 pela Copa do Brasil, no belo gol que marcou.
Diferentemente de Arão, Cuéllar é intenso. Conseguiu resgatar parte da vida que parecia distante do meio campo rubro-negro e parece extremamente motivado para se assegurar entre os titulares. A saída de bola teve um salto de qualidade, o meio campo voltou a ser movimentado e mais preciso e Cuéllar é um dos melhores jogadores do time tanto ofensivamente quanto defensivamente – afastando a crença de Zé Ricardo sobre a necessidade de volantes velocistas para se ter uma boa defesa. A falta de oportunidades para o colombiano foram capítulo recorrente em sua passagem pelo clube mas, finalmente, Cuéllar tem se encontrado ao vestir o Manto Sagrado. E quem ganha com toda essa disputa é o Flamengo. O caro e numeroso elenco vai se provando útil. Resta a nós torcer para que a boa fase de Cuéllar perdure e que Zé Ricardo aprenda a hora certa de largar suas convicções e apostar em algo novo.
E você, o que tem achado da troca no meio campo rubro-negro e do momento de Cuéllar? Deixe sua opinião nos comentários!
Saudações Rubro-Negras!
Pedro Santos - @PedroHRS
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