Após a péssima partida contra o Atlético Goianiense, no jogo de volta pela Copa do Brasil, o Flamengo foi a Curitiba para disputar sua terceira partida no Campeonato Brasileiro. Com novidades na escalação, um primeiro tempo decepcionante e uma segunda etapa movimentada, o Flamengo empatou com o Atlético Paranaense, por 1x1, na Arena da Baixada. O empate levou o Mais Querido aos 5 pontos, assumindo a 8º colocação no campeonato, dois pontos atrás dos líderes Corinthians e Cruzeiro.*
O jogo
O primeiro tempo foi morno. O Atlético, melhor em campo, criou as melhores oportunidades. Os donos da casa chegaram logo aos 7', em perigosa jogada pela ponta esquerda, cortada por Réver. Pablo (11') e Nikão (13') também assustaram. Aos 24', o Flamengo teve sua única grande oportunidade. Bola aberta com Pará e cruzamento do lateral para Mancuello cabecear, furar a rede e abrir o placar pro Mais Querido. Mesmo com o gol, o Flamengo continuou sendo pressionado. Um minuto depois do gol de Mancuello, Nikão cabeceou no travessão. Aos 31', Márcio Araújo perdeu a bola no meio campo, Grafite ficou sozinho com Muralha e o goleiro rubro-negro fez defesa espetacular. Grafite ainda tentou chute de fora da área aos 37' e colocou outra bola na trave, depois de bonita jogada, aos 40'.
Já a segunda etapa compensou a falta de emoção da primeira. O Flamengo começou melhor, procurando o ataque e, logo aos 9', Weverton foi forçado a fazer um milagre em cabeçada de Guerrero. Um minuto depois, escanteio cobrado contra a área rubro-negra e Thiago Heleno subiu sem marcação pra empatar o jogo. A partida seguiu equilibrada, com o Flamengo trabalhando a posse e o Atlético procurando explorar o contra-ataque. Aos 30', Douglas Coutinho recebeu lançamento entre Renê e Vaz, ganhou e finalizou pra boa defesa de Muralha. 5 minutos depois, foi a fez de Vinícius Júnior arriscar o chute, defendido por Weverton. O Atlético teve duas chances, com Ederson (37'), em chute de fora da área, e com Douglas Coutinho, em cruzamento perigoso, ambas defendidas por Muralha. Aos 43', grande jogada de Lucas Paquetá pra cima de Otávio, na ponta esquerda e, após o cruzamento, Guerrero se atrapalhou e perdeu grande chance. O Flamengo continuou pressionando e, apesar das oportunidades com Vinicius Júnior aos 45', em chute de fora da área, e com um escanteio no último minuto, que terminou em cabeçada de Guerrero para fora, não conseguiu virar o placar.
Zé Ricardo
Sem Éverton, Éderson, Diego, Berrío e Gabriel – além de ter optado por ainda não utilizar Conca –, Zé Ricardo buscou substituir a habitual velocidade das pontas por mais qualidade técnica A mudança de postura do time na segunda etapa, procurando propor o jogo, tornou o time mais incisivo, mesmo com tantas peças diferentes. O comportamento extremamente defensivo do treinador nos últimos jogos tem sido nocivo ao time. A gritante diferença de qualidade entre o futebol apresentado na primeira etapa, com três finalizações, e na segunda, com 11 arremates, ilustra o poder que o time reprime ao jogar defensivamente. Na entrevista coletiva, Zé ressaltou o bom segundo tempo do time e mostrou percepção em relação à saída de bola ruim na primeira etapa – e sua melhora na segunda parte. Esperemos que a conversa branda de Zé Ricardo na coletiva não faça o time acreditar que, ao ter o jogo na mão, possa se dar ao luxo de perder diversas oportunidades e deixar a vitória escapar.
Cuéllar e Mancuello
Novidades hoje, ambos foram bem. Segundo o Footstats, Cuéllar teve 97% de aproveitamento nos passes (56 certos, 2 errados) e 3 desarmes realizados. Técnico como sempre, deu movimentação e qualidade para a saída de bola rubro-negra. Em diversos momentos alternando entre a posição de 1º e 2º volante, o colombiano também espantou o mito de que é incapaz de atuar na posição de Márcio Araújo. O lado negativo de sua atuação ficaram pelas perdas de posse (5) que, apesar de não terem comprometido o time, mostram um nervosismo incomum por parte do camisa 26 em determinados momentos. Já Mancuello voltou a encontrar o bom futebol. Não foi brilhante, é verdade, mas passou longe de ser o jogador preguiçoso das últimas partidas. Com um gol, duas assistências para finalizações e 88% de aproveitamento nos passes (22 certos, 3 errados), espera-se que o argentino volte a emplacar uma boa sequência de partidas. A péssima fase atravessada por Willian Arão e uma virtual saída de Cuéllar para o Vitória podem significar mais oportunidades para o camisa 11 no time titular.
Márcio Araújo
Medíocre em todos os sentidos. Márcio Araújo mostra cada vez mais sua limitação e ser o tipo de jogador que só cresce quando todo o time está em boa fase. Os 94% de aproveitamento nos passes (66 certos, 4 errados) – em sua maioria para os lados e para os zagueiros, sem nenhuma objetividade –, não escondem a péssima partida do volante. A perda de posse que quase resultou no gol de Grafite lembrou lance parecido, também protagonizado por Araújo, contra o Atlético Goianiense, no jogo de volta pelas oitavas de final da Copa do Brasil. Conhecido e defendido pela sua capacidade defensiva, Márcio Araújo fez apenas um único desarme em todo o jogo – Renê (5), Cuéllar (3), Pará (3), Réver (3) e Mancuello (2) lideraram o quesito. Mal há diversos jogos e sem figurar entre os melhores do time nos aspectos que sempre se destacou, parece o momento de Márcio Araújo deixar o 11 inicial. Zé Ricardo possui Rômulo, Cuéllar e Ronaldo pedindo passagem. Para o próximo jogo, contra o forte Botafogo, a manutenção do camisa 8 no time titular, baseado em suas últimas performances, seria inexplicável.
Muralha
Irregular como sempre, Muralha dá sinais de ter se acomodado na titularidade rubro-negra. Como no jogo contra o San Lorenzo, onde fez grande defesa em escanteio dos argentinos e logo em seguida falhou no gol de Belluschi, Muralha foi providencial nas finalizações de Grafite e Douglas Coutinho. No entanto, falhou grotescamente no gol de Thiago Heleno, momentos depois de Weverton fazer defesa monumental em lance parecido. A janela de meio de ano se aproxima e, devido a pouca confiança inspirada por Muralha e as poucas oportunidades dadas a Thiago, o Flamengo deve ir ao mercado em buscar de um goleiro que possa assumir a titularidade ou, ao menos, oferecer o nível de disputa que Muralha encontrou ano passado, com Paulo Victor. Para um time com as pretensões do Flamengo, torna-se imprescindível um goleiro que decida jogos. E Muralha, no momento, está longe de tal denominação.
Vinícius Júnior
Mais leve a cada partida, Vinícius Júnior mostra que é questão de tempo até o profissional se tornar tão familiar quanto as zagas sul-americanas no sub-17. O nervosismo do jogo de estreia, contra o Atlético Mineiro, desapareceu contra o Atlético Goianiense, pelo Brasileirão, e foi enterrado de vez no jogo de hoje. Ousado e com crescente confiança, Vinícius acertou quase tudo que tentou. Fez duas boas jogadas pela ponta esquerda, que resultaram em dois perigosos cruzamentos não aproveitados pelo ataque rubro-negro. O jovem camisa 20 ainda arriscou dois chutes, que pouco assustaram Weverton, mas mostraram atitude e personalidade por parte de Vinícius. Sua qualidade é visível e o toque diferente, o jeito pouco comum de conduzir a bola e outros sinais de genialidade vão, aos poucos, dando o ar de sua graça. A calma, no entanto, deve trabalhar junto de Zé Ricardo nesse momento. Vinícius deve ser bem lapidado e, até o momento, tem segurado a barra ao enfrentar adversários com quase o dobro de sua idade. Que o sucesso de Vinícius Júnior sirva de lição para o Flamengo. Mesmo que com calma, a base deve ser utilizada sempre e a excelente geração de jogadores revelados no Ninho tem pedido passagem.
O clima de desconfiança ainda paira sobre a Gávea. A inexplicável eliminação da Libertadores, ainda que Eduardo Bandeira de Mello trate apenas como “mais uma derrota”, teve um baque sobre o elenco rubro-negro. Entretanto, há vida pós-Libertadores e ela exige que o Flamengo se porte como Flamengo. O 3x0 contra o Atlético Goianiense, pela segunda rodada do Brasileiro, e o bom segundo tempo contra o Atlético Paranaense devem ser os focos de Zé Ricardo na busca por recuperar o bom futebol do time. A volta de Diego, Éderson e Conca em condições ainda melhores para finalmente estrear podem ser o impulso necessário para o Flamengo acordar. O próximo compromisso, contra o Botafogo, dia 4 de Junho, pode dar a liderança ao Mais Querido e a Nação espera que o time e Zé Ricardo estejam dispostos a buscá-la. Vamos, Flamengo!
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Saudações Rubro-Negras!
Pedro Santos - @_PedroHRS
*classificação no momento em que o texto foi redigido, com a rodada ainda incompleta.
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