Na última quarta-feira, a Conmebol divulgou seu balanço financeiro pela primeira vez em 101 anos de história. Diante dos resultados, é possível ver que a entidade ganha 20 vezes menos que a Uefa em suas competições. O campeão da Libertadores recebe menos que o último colocado da fase de grupos da Liga dos Campeões em premiações. Menos até que o campeão paulista. Mas esses dados não afastam o otimismo com o futuro dos torneios sul-americanos. Por um motivo simples: a Conmebol divulgou seu balanço financeiro pela primeira vez na história.
A abertura das contas do órgão que regula o futebol na América do Sul é vista como um marco positivo. Mesmo diante do rombo mais de US$ 150 milhões (R$ 475,5 milhões na cotação atual) com desvios de seus antigos dirigentes – os últimos três presidentes, Nicolás Leoz, Eugenio Figueredo e Juan Ángel Napout, estão presos –, a entidade registrou US$ 252 milhões (R$ 802 milhões) de faturamento e lucro de US$ 1,3 milhão (R$ 4,1 milhões) em 2016.

Para o especialista em gestão esportiva da BDO Brazil, Pedro Daniel, o início por um caminho para a transparência pode ser atrativo ao mercado. E atrair novos contratos para a Conmebol. O que significa maiores investimentos e premiações.
– Aí está a importância de se fazer esse relatório e ir para o mercado. Demonstrar uma guinada de transparência e conseguir atrair parceiros. Já se percebe isso, com o aumento de receita. É o grande ponto positivo desse relatório. A gente sempre tratou muito a Conmebol como uma caixa preta. Os próprios clubes sempre brigaram, e a confederação nunca se abriu. A situação da Conmebol era mais complexa que a Fifa e a CBF. E eles mostraram que deram um passo interessante – analisou Pedro.
No futuro próximo, a Conmebol tem mais a receber do que pagar. Seu balanço mostra que está com US$ 33 milhões em caixa e tem US$ 75 milhões para receber em curto prazo. Assim como a CBF e a Fifa, seus resultados financeiros evidenciam que a crise institucional no futebol nos últimos dois anos não afetou os cofres da entidade. O endividamento é quase zero.
Abismo ainda separa Uefa e Conmebol
Se comparados os ganhos da Conmebol em seus torneios às receitas da Uefa, fica difícil ser otimista. Ainda há um abismo. Enquanto os europeus faturaram US$ 4,905 bilhões (R$ 15,55 bilhões) em suas competições na temporada passada, os sul-americanos ganharam US$ 247,67 milhões (R$ 785,1 milhões). É quase 20 vezes menos. Último campeão da Liga dos Campeões, o Real Madrid levou 80 milhões de euros (cerca de R$ 276 milhões) para os seus bolsos depois do torneio.
Quem levantar a taça da Libertadores neste ano vai levar, no máximo, US$ 8,8 milhões (R$ 27 milhões). É metade do que ganhou o Maccabbi Tel-Aviv, equipe que menos faturou dentre os times que disputaram a fase de grupos da Champions. Os israelenses ganharam 16,7 milhões de euros (cerca de R$ 57 milhões). A comparação é desleal. Mas a mudança no formato das competições no continente devem significar maior faturamento a partir do ano que vem. E ganhos ainda maiores em 2019, quando a Conmebol deve renogociar seus contratos de televisão.

– O contrato de TV do Paulista é maior que o da Libertadores, é verdade. Mas o ponto que é fundamental é que a Libertadores mudou. A gente está falando de campeonato que dura ano inteiro, com mais clubes, mais mercado. E uma situação mais propícia para fazer uma final e vender esse direito para outro continente. Quando a final da Champions League passa para o sábado, ela consegue avançar no mercado asiático, nas Américas. A Libertadores ainda é local. Não tem como vender para o mercado europeu uma final na quarta-feira à noite. Mas o calendário único é um primeiro passo – explica Pedro Daniel.
De 2015 para 2016, a Conmebol quase dobrou o investimento na Libertadores (de US$ 51 milhões para US$ 95,2 milhões) e também faturou quase duas vezes mais (de US$ 66,6 milhões para US$ 121,8 milhões). No entanto, isso não indica que a premiação deste ano para os clubes será maior. O volume investido na competição aumentou em quase US$ 4 milhões. No entanto, com 47 clubes em 2017, o valor foi fatiado, e os prêmios são os mesmos da edição anterior. Mas o futuro é promissor.
– Os documentos são prova da transparência. Foram tempos complicados, muito difíceis, mas já passou. Agora temos que nos concentrar no futuro, temos que demonstrar que somos transparentes, que somos abertos – declarou o presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Premiações da Libertadores e Copa Sul-Americana em 2017:
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Retirado de: Globo Esporte



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