Análise: O que o Flamengo deve fazer sem Diego?

(Foto: Gilvan de Souza)

A vitória da última quarta-feira, sobre o Atlético Paranaense, não trouxe só alegrias e boas notícias à Gávea. A euforia pela vitória e por assumir a liderança do grupo 4 da Libertadores foram postos de lado por conta da preocupante saída de Diego. O meia, em choque com Douglas Coutinho, sofreu uma entorse no joelho direito e deixou o jogo imediatamente. Após os exames realizados, Diego teve diagnosticada uma lesão no ligamento colateral medial e no menisco medial, desfalcando o Flamengo de 4 a 6 semanas, segundo o Dr. Márcio Tannure, chefe do Departamento Médico do clube.


Toda a preocupação entorno da ausência de Diego tem justificativa. Na Libertadores, o camisa 10 é o primeiro do time em gols, assistências - tanto para gol quanto para finalizações - e em passes, dribles e cruzamentos certos. Além disso, é o segundo em finalizações e desarmes certos. Desde sua chegada, Diego tem 71% de aproveitamento vestindo rubro-negro. Nesse ano, foram 12 partidas, com 8 vitórias, 3 empates, uma derrota e 75% de aproveitamento. De acordo com o 'Footstats', é o segundo melhor jogador da Libertadores 2017, atrás de Fred, do Atlético Mineiro. Sem dúvidas, o jogador mais fundamental do elenco.

Com seu principal jogador em recuperação, Zé Ricardo terá que buscar alternativas no vasto elenco rubro-negro. O Flamengo pode não contar com Diego nos dois jogos restantes da fase de grupos da Libertadores - Universidad Católica, no Rio, e San Lorenzo, na Argentina - e nas finais do Carioca. E para um momento tão decisivo, quais são as possibilidades que tem Zé Ricardo?

4-5-1




A alternativa mais pragmática seria a manutenção do 4-5-1 atual, substituindo Diego por outro meia. Lucas Paquetá é o jogador mais semelhantes às características que o time acostumou a ter com Diego em campo. Seu bom passe e controle de bola, aliados à boa visão de jogo que possui, fazem dele o substituto ideal. No entanto, o jovem garoto peca em não ter experiência em grandes jogos no profissional - fez apenas um clássico, o 2x2 contra o Vasco, pela Taça Rio, ao sair do banco e substituir Mancuello - o que pode vir a ser um problema em jogos tão importantes.

Matheus Sávio passa por situação parecida. O camisa 42 teve sua primeira oportunidade em jogos grandes ao substituir Diego, contra o Atlético Paranaense. Sua satisfatória performance o coloca perto de receber uma grande chance no time principal. Mais objetivo que Paquetá, Sávio pode executar com perfeição as movimentações de ataque e trocas de posição com Éverton. Pode vir a ser uma boa opção em jogos onde o time precise de velocidade aliada à qualidade, mas talvez peque em jogos em que a manutenção da posse no campo de ataque seja primordial.

Mancuello é outro jogador que pode ser utilizado nessa função. Todavia, o argentino, nas oportunidades que teve pela faixa central de meio campo, não mostrou bom futebol e preterir Paquetá e Matheus Sávio para improvisar o camisa 11 novamente não aparenta ser a melhor escolha.

4-3-2-1




O 4-3-2-1 foi aplicado por Zé Ricardo no jogo contra a Universidad Católica, pela Libertadores. Na ocasião, o time foi a campo com Márcio Araújo, Rômulo e Arão no meio campo, com Éverton, Diego e Guerrero mais à frente. Nesse esquema, o Flamengo fez uma de suas melhores partidas no ano. Márcio Araújo ficou menos pressionado, pois sempre tinha Arão e Rômulo, além dos laterais, para iniciar as jogadas. Arão pôde explorar suas investidas pelo lado direito e as triangulações com Pará. Rômulo aproveitou uma de suas grandes qualidades: o passe. Diego e Éverton flutuaram à frente dos 3 meio campistas, trocando de posição a todo momento e confundindo a marcação. E Guerrero teve nada menos que 6 finalizações no jogo, número elevadíssimo considerando o mando adversário e a competição difícil.

O time portou-se muito bem tendo dois meias livres e teve segurança defensiva por conta dos 3 homens de meio campo. Apesar de não termos toda a inteligência e criatividade de Diego, o 4-3- 2-1 é uma das melhores apostas que Zé Ricardo pode fazer. Com a volta de Éderson cada vez mais próxima, o esquema abrange ainda mais peças. Além de Paquetá e Matheus Sávio, que teriam responsabilidade criativa menor e maior tranquilidade do que no usual 4-5-1, a entrada de Éderson numa função parecida com a que ele fazia antes de sua lesão torna-se completamente aceitável.

4-4-2




O clássico e sólido 4-4-2 sempre aparece com uma das possibilidades de jogo, mesmo que remota. Pouco utilizado pelo Flamengo comandado por Zé Ricardo, o esquema, ainda sim, tem suas virtudes. É claro que não do modo que tem sido usado atualmente, em tentativas ineficazes de causar o famoso "abafa" no adversário. As frequentes entradas de Damião em jogos importantes, tirando toda a criatividade do time e impulsionando sua sede por bolas alçadas na área ficarão bem longe deste tópico. Por isso, o companheiro de ataque ideal para Guerrero atende pelo nome de Felipe Vizeu.

O 4-4-2 já teve seu bom momento no Flamengo de Zé Ricardo. A vitória contra a Chapecoense, em Chapecó, pelo Campeonato Brasileiro, é o melhor exemplo do bom uso do esquema. Na oportunidade, com a entrada de Damião, o time mostrou movimentação, principalmente de Guerrero. O camisa 9 teve liberdade para sair da área e trabalhar pelo meio de campo, além de cair pela ponta esquerda.

Na goleada contra o Madureira, pela Taça Guanabara, Vizeu, logo assim que entrou, fez grande jogada pela esquerda que terminou em passe para o gol de Mancuello. Também muito participativo, o jovem atacante tem capacidade de trabalhar bem com a bola fora da área e pelos lados do campo, assim como Guerrero. Não seria inimaginável escalar os dois centroavantes juntos, tentando compensar a falta de Diego com mais criatividade e movimentação entre os homens de frente.

O 4-5-1 atual conta com o tempo de trabalho e a confiança do treinador no esquema a seu favor. Já os 30 minutos de 4-4-2 contra a Chapecoense são lembrados como um dos melhores momentos do Flamengo em 2016. No entanto, contra a Universidad, o Flamengo chegou a ter 74% de posse de bola - terminou o jogo com 46% - e finalizou 16 vezes - 7 corretas, 9 erradas. O rubro-negro ainda teve 89% de aproveitamento nos passes e em desarmes. Os números e a atuação do time mostram que a tão pedida e necessária variação tática que Zé Ricardo precisa pode ser o 4-3-2-1. As opções são várias mas nenhuma delas fará com que o Flamengo não sinta falta de seu homem de criação. Com momentos decisivos batendo à porta e sem poder contar com a imprevisibilidade e talento de Diego para quebrar as defesas adversárias, talvez seja a hora do treinador apostar em algo diferente para obter sucesso.

E você, que mudanças faria no Flamengo sem Diego? Deixe sua opinião nos comentários!

Saudações Rubro-Negras!

Pedro Santos - <


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