O Paragominas chega à última rodada da fase de classificação do Campeonato Paraense brigando contra o rebaixamento. O Jacaré vem de seis jogos consecutivos sem vitória, trocou de treinador duas vezes na competição e agora deposita as esperanças de permanecer na elite do Parazão, literalmente, nas mãos do presidente do clube. Charles Guerreiro, ex-jogador de Remo, Ponte Preta, Guarani, Paysandu, Flamengo e seleção brasileira, além de presidir a equipe, agora também acumula a função de técnico do time.
Charles Guerreiro assumiu a presidência do Paragominas em 2016, depois da renúncia do antigo mandatário, Jorge Formiga, e a possibilidade do clube não disputar o Parazão daquele ano por dificuldades financeiras. A identificação do ex-jogador com Alviverde vinha de 2013, quando, como técnico, Charles conseguiu o vice-campeonato estadual com o PFC, além das vagas na Copa do Brasil e Série D.
Nesta temporada, sem apoio e sobrevivendo das cotas de participação no Paraense, o Paragominas montou um elenco considerado modesto e conseguiu apenas duas vitórias em nove partidas. Depois da saída de Cacaio, o Jacaré ainda apostou no técnico Carlos Alberto Dias, ex-atleta de Vasco e Botafogo, mas a equipe seguiu sem reagir no campeonato e ele deixou o comando do elenco no último final de semana. Charles fez a sua apresentação ao grupo de jogadores - agora como treinador - na última terça-feira, naquela que é considerada uma das suas maiores missões no futebol.
– O time está sem recursos, não temos dinheiro para trazer nenhum outro treinador, ainda mais faltando 10 dias para o fim do campeonato. Tenho os meus afazeres como presidente tratando das coisas extracampo, atrás dos recursos, é preciso pagar 50% da folha salarial de fevereiro, temos dificuldade para conseguir até os valores para a alimentação do grupo. Como presidente, agora os jogadores também vão me cobrar como treinador. Mas é a única solução nesse momento delicado do clube, precisamos evitar o rebaixamento – disse.
Como jogador, Charles Guerreiro conseguiu passar por diversos desafios ao longo da carreira, principalmente no Flamengo, onde disputou 246 jogos e é lembrado até hoje com carinho pelos rubro-negros. O jogo decisivo para a permanência do Paragominas na fase principal do Parazão está marcado para o dia 8 de abril, e justamente diante do Remo, líder na classificação geral e invicto em 2017. Com o apoio da torcida na Arena Verde, Guerreiro espera colocar em prática a experiência de mais de 10 anos como treinador para não ficar marcado pelo fracasso no cargo de dirigente.
– Essa é a pior campanha de todos os tempos do Paragominas, e os atletas também têm uma parcela de culpa. Não poderíamos ter deixado para decidir a nossa vida na competição justamente contra o Remo, um time grande. Vamos ter que nos unir, nos fechar contra esse rebaixamento. Depois disso, vou pensar com calma se continuo na presidência do Paragominas ou se sigo a minha vida de treinador.
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Retirado de: Globo Esporte

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