O Flamengo já pode gastar R$ 215 milhões com o futebol?



Desde a divulgação do orçamento para 2017 os números do Flamengo estão na roda como um dos assuntos do final da semana que passou e dessa ainda em curso.

A rigor, os leitores deste OCE não devem ter ficado muito surpreendidos com o que apareceu e que já era em parte previsível pelo acompanhamento dos balancetes trimestrais do clube durante 2016.


Sem dúvida, porém, a menção a muitos milhões, a duzentos milhões, a R$ 215 milhões, realmente estimulou o imaginário de muita gente e não somente torcedores.

Conversando a respeito, ainda no sábado perguntei a um interlocutor ligado ao clube:

- O Flamengo já pode gastar 215 milhões com o futebol? – e sua resposta, vou repetir, nada teve de surpreendente:

– Sim, pode e a verdade é que esse valor será até um pouco maior, entre 225 e 230 milhões, pois nele não estão incluídos alguns gastos, como, por exemplo, investimentos no CT da base. Por outro lado, fizemos  um orçamento muito conservador para 2017, pois ele inclui zero real com receita do Campeonato Carioca, zero de receita com premiações e menos de R$ 10 milhões com receitas de transferências de atletas.

Essa resposta à pergunta formulada no título deste post veio de pessoa ligada à área econômico-financeira e, mais ainda, ao planejamento estratégico do Flamengo.

Meu interlocutor também disse que outro ponto pendente e que poderá surpreender positivamente é a receita com bilheteria, dependendo, é claro, de uma boa solução para o time jogar no Maracanã.

E, pelo que acompanhamos e conhecemos do futebol e seus estímulos, uma boa campanha na Copa Bridgestone Libertadores irá proporcionar mais alguns bons reforços, na forma de milhões de R$, ao caixa do clube.
Então, sim, sem a menor dúvida o Flamengo poderá gastar com o futebol tudo que foi orçado e despertou tanta admiração.


Os números para o futebol ainda são os menos importantes

Os debates e polêmicas que os números do futebol despertaram durante a semana falaram de jogadores, de contratações, de salários, da montagem de grandes times...

Tudo bastante natural, porque é isso mesmo que encanta e levanta a torcida: futebol bem jogado, bola correndo no gramado (sempre natural, por favor), gols e, por fim e fundamental, vitórias.

Os números, que sempre levaram a pesadelos repetidos, agora abriram o caminho para os sonhos da torcida – inevitáveis e apressados, mas justos, justos sonhos dos torcedores.

Justos, sem dúvida, porque aos torcedores é permitido sonhar.

O grande ponto desse orçamento, todavia, ficou longe dos grandes bate-papos ao vivo ou virtuais: a redução do valor da dívida do Flamengo, que, finalmente, abrirá um novo ano com uma dívida bem menor que sua receita.
O orçamento para 2017 estima, de forma conservadora, como foi revelado no início deste post, uma receita bruta de R$ 435,1 milhões e uma receita líquida de R$ 411,2 milhões, contra uma dívida total de R$ 360,0 milhões (reparem que os números fazem uma sequência de queda, como deve ser).
Uma dívida alta ainda, mas inferior às receitas bruta e líquida previstas pelo clube. Ela representará, no final do exercício, 82,7% da receita bruta e 87,6% da receita líquida.

Ora, isso é muito bom, sem a menor dúvida, principalmente porque 73,0% dessa dívida - R$ 263,0 milhões – é de longo, longuíssimo prazo, constituída pelas dívidas tributárias e negociadas dentro do PROFUT.
Sobram, portanto, 27% do total da dívida – R$ 97,0 milhões, que representam menos de um quarto da receita líquida do ano – para pagamento a curto e médio prazo.

Isso me leva a crer que o Clube de Regatas do Flamengo tem hoje, depois de muito tempo, uma excelente bancabilidade, ou seja, é não apenas um bom cliente, mas um cliente desejável para o sistema financeiro.


Sobre esse ponto, a dívida, pedi uma curta análise ao Cesar Grafietti, do Banco Itaú BBA e autor do trabalho anual Análise Econômico-Financeira dos Clubes Brasileiros de Futebol.  

O Flamengo está preparado para voos mais altos
Sob o ponto-de-vista técnico, o Flamengo é um clube saudável. Tem Receitas resilientes*, custos controlados e investimentos dentro das possibilidades. Possibilidades que surgiram por conta do que já comentei anteriormente e porque ao longo dos últimos anos a Dívida chegou a níveis aceitáveis para os padrões de mercado.

Considerando a geração de caixa estimada, em torno de R$ 130 milhões, o Flamengo deve 0,75x desta geração, que é bastante baixo considerando o nível médio de alavancagem** no Brasil.

Ou seja, o clube está preparado, na visão financeira, para buscar objetivos maiores. Em outras palavras, em terra de gavião, urubu voa mais alto e pede passagem.

(*Resiliente: tem a capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças desfavoráveis.

**Alavancagem: é o uso de recursos de terceiros que possibilitam impulsionar  - alavancar! – um negócio; há diversas formas de se medir alavancagem, e a mais comum no mundo corporativo atualmente é a relação entre a geração de caixa e a dívida onerosa (que tem custo); como as tributárias são de muito longo prazo, utiliza-se a comparação com a dívida bancária, mais cara e de menor estabilidade.)


Acredito, como muitos outros, que 2017 tem tudo para ser um ano de bom para excelente para o Flamengo nos gramados. Isso, naturalmente, vai depender de inúmeros fatores, tanto previstos como não previstos. O acaso também terá influência, como sempre acontece nas disputas esportivas. O fundamental, porém, é que o futebol, independentemente de seus resultados, terá o suporte de um clube forte e a cada dia melhor estruturado.

Por quê?

Porque é um clube que tem gestão profissional e aqui, por profissional, entenda-se alta qualidade.

A gestão é o diferencial do Flamengo.

Assim como a gestão, numa outra escala e realidade, tem sido o grande diferencial do Campeão da Copa Sul-Americana de 2016, a Chapecoense.

E com isso fecho esse post, repetindo o que disse o economista e profissional do mercado financeiro, Cesar Grafietti:

O Flamengo está voando mais alto e abrindo passagem.

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Retirado de: Olhar Crônico Esportivo

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