Relembre a historia de Domingos da Guia



Classe, técnica e categoria. São essas as características principais de um dos maiores zagueiros da história do Flamengo e do futebol brasileiro. Nascido em 19 de novembro de 1912, no Rio de Janeiro, Domingos Antônio da Guia viria a se tornar o "Divino Mestre", apelido dado pelos torcedores uruguaios durante o tempo que atuou por um dos gigantes do país.


Dotado de uma habilidade rara para um zagueiro à época, Domingos foi revelado pelo Bangu. No simpático clube da Zona Oeste carioca, seu principal treinador foi Togo Renan Soares, popularmente conhecido pelo apelido "Kanela", que, posteriormente, viria a ser o treinador da equipe de basquete do Mais Querido em anos extremamente vitoriosos, destacando-se a conquista do Decacampeonato Carioca e do primeiro título sul-americano de uma equipe brasileira de basquete. O técnico foi o responsável por sua transformação de um excelente meio-campista em um dos maiores zagueiros de todos os tempos.

Seu talento logo começou a chamar a atenção de diversos clubes. Sua projeção ganhou proporções continentais quando, em setembro de 1931, com apenas 19 anos, realizou sua primeira partida pela Seleção Brasileira, contra o Uruguai. Domingos foi o grande responsável por segurar o letal poder de fogo do ataque Celeste, campeão da Copa do Mundo de 1930 e Bicampeã Olímpica. Na partida, o Brasil venceu por 2 a 0. Sua carreira com a camisa amarelinha durou até 1945.

No ano seguinte de sua estreia, o defensor juntou-se ao Nacional do Uruguai, um dos maiores clubes do país. Em sua primeira temporada na equipe, o zagueiro conquistou logo de cara o campeonato nacional. Seu impacto foi imediato, gerando inclusive elogios vindos por parte de jogadores contemporâneos que atuaram pelo arquirrival de seu time na época, o Peñarol.

Santos Iriarte, um dos ídolos da equipe aurinegra e campeão do mundo com a seleção uruguaia na Copa de 1930, uma vez falou sobre o Divino Mestre: "Eu era ágil, veloz e artilheiro do Peñarol, e ele com o seu futebol lento não deixava que eu o ultrapassasse uma única vez em mais dezenas de tentativas que fiz. Me desarmava sem demonstrar grande esforço."

Dois anos depois, Domingos viria a atuar fora de terras tupiniquins novamente. Contratado pelo Boca Juniors em 1934, o zagueiro foi dono de inúmeras atuações brilhantes, sendo peça fundamental no título argentino conquistado pela equipe xeneize.

Em seguida, o Divino Mestre retornou de vez ao Brasil, diretamente para os braços da Nação.

Chegando ao Flamengo em 1936, o zagueiro de toque elegante e passadas vagarosas caiu nas graças da torcida. Foram sete anos de dedicação total ao Manto Sagrado. Com aquela memorável equipe rubro-negra, que também contava com a presença do craque Leônidas da Silva no comando de ataque, Domingos da Guia conquistou por três vezes o Campeonato Carioca, nos anos de 1939, 1942 e 1943.

O genial escritor e jornalista uruguaio Eduardo Galeano escreveu em um de seus mais famosos livros, "O Futebol ao Sol e à Sombra", sobre o Divino Mestre.

"A leste, a Muralha da China. A oeste, Domingos da Guia. Nunca houve zagueiro mais sólido na história do futebol. Domingos da Guia foi campeão em quatro cidades (Rio de Janeiro, São Paulo, Montevidéu e Buenos Aires) e foi adorado pelas quatro: quando jogava, os estádios enchiam. Antes, os zagueiros se agarravam aos atacantes feito selos em envelope, e livravam-se da bola como se ela lhes queimasse os pés, chutando-a o quanto antes para o alto. Domingos, ao contrário, deixava passar o adversário, investida vã, enquanto lhes roubava a bola, e depois tomava todo o tempo do mundo para tirar a pelota da zona de perigo. Homem de estilo imperturbável, fazia tudo assobiando e olhando para o outro lado. Desprezava a velocidade. Jogava em câmera lenta, mestre do suspense, amante da lentidão."

No mesmo livro, Galeano incluiu uma passagem da entrevista que o craque deu ao jornalista Roberto Moura, falando sobre sua maior paixão.

"Esta aqui, a bola, me ajudou muito. Ela ou as irmãs dela, não é? É uma família, e sinto gratidão por ela. Na minha passagem pela Terra, ela foi o principal. Porque sem ela ninguém joga. Comecei na fábrica Bangu, trabalhando, trabalhando, até que encontrei minha amiga. E fui muito feliz com essa aí. Conheço o mundo inteiro, viajei muito, muitas mulheres. Isso também é uma coisa gostosa, não é?"

Será difícil encontrar descrição mais precisa sobre todo o brilhantismo de Domingos.


Em 16 de maio do ano 2000, o Divino Mestre encerrou sua passagem pela Terra, e o que restou para nós que aqui estamos foi a saudade.

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