Guarda-chuva nas mãos, procurando a melhor posição para escapar da água que o vento jogava contra o corpo, tentando enxergar o campo, sem entender exatamente o que acontecia no gramado. Mas ali, firme. Era uma missão a cumprir. Quem esteve, por exemplo, num sábado à noite sob tempestade na geral do Maracanã sabe o que significava. Só mesmo uma paixão incondicional levaria alguém a tamanha aventura, que sequer era encarada como tal.
Acompanhar o time é algo sagrado, como o fiel que não deixa de comparecer à missa. Orgulho-me por, durante parte de minha vida, ter me relacionado assim com meu clube, pois comecei a ver o Flamengo frágil. Minha estreia no Maracanã foi diante do Vasco, então o campeão da Guanabara. Na oportunidade, Yustrich escalou um 4-2-4 com Ubirajara Alcântara, Murilo, Washington, Reyes e Tinteiro; Liminha e Zanata; Buião (Onça), Dionísio (Nei Oliveira), Roberto Miranda e Caldeira.
Dé fez o único tento do cotejo, ainda no primeiro tempo. Sempre levado por meu pai, demorei a ver vitória no Maracanã, um 2 a 1 sobre o Botafogo mais ou menos um ano e quatro jogos depois. Assim, aprendi cedo que derrotas não tiram sua paixão por uma camisa, pelo contrário, ela só aumenta.
Zico faria sua primeira aparição entre os profissionais meses depois, ainda com 18 anos de idade. Os tempos de glória viriam quase uma década mais tarde. Torcer pelo Flamengo não era tarefa fácil, em que pese os títulos estaduais de 1972 e 1974, este o primeiro do maior ídolo de nossa história.
Foi um período em que o Botafogo aplicou 6 a 0 no dia do 77º aniversário rubro-negro, o Vasco se transformou em campeão brasileiro, o que nenhum carioca conseguira até então; e o Fluminense montou a "Máquina" bicampeã do Rio. Enquanto isso o Flamengo era 14º, 12º, 24º, 6º, 7º, 5º, 9º, 16º, 12º no campeonato nacional.
Fácil lembrar os áureos tempos nos quais saíamos de casa para o Maraca certos da vitória. Por mais paradoxal que possa parecer, me orgulho por ter sido forjado torcedor na dificuldade, nas vitórias não tão frequentes, na dor profunda das derrotas que deixam marcas, mas que formam o caráter.
Não, naqueles tempos não saíamos de casa para ver o time de grandes jogadores, de craques que quase com toda a certeza nos levariam a mais um triunfo. Naqueles tempos saíamos de casa para ver o Flamengo. Apenas o Flamengo. Por amor ao Flamengo.
Mauro Cezar Pereira é jornalista e, após passagens por O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Placar e Rádio CBN, é hoje integrante do time de comentaristas da ESPN Brasil.
Mauro Cezar Pereira é jornalista e, após passagens por O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Placar e Rádio CBN, é hoje integrante do time de comentaristas da ESPN Brasil.
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Retirado de: Site Oficial do Flamengo

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