Domingo, Pacaembu terá cara de Maracanã no Fla-Flu paulista


Em dificuldade para conseguir uma casa diante da crise de estádios no futebol carioca, Flamengo e Fluminense vão desbravar um novo território no domingo. Não que o Pacaembu seja algo distante da realidade dos cariocas, acostumados a visitar o estádio municipal de São Paulo. No entanto, só há um registro de Fla-Flu no estádio: em 1942. Desta vez, a visita servirá para levar à capital paulista uma cultura tipicamente carioca e vetada na terra da garoa: divisão igualitária de ingressos e setores mistos no estádio.
Os clássicos paulistas, em qualquer campo, são disputados com apenas 10% dos ingressos para a torcida do clube sem mando de campo. No entanto, gestões feitas por Flamengo e Fluminense junto à Federação Paulista de Futebol e à Polícia Militar convenceram as autoridades de que seria possível fazer uma divisão “à carioca”.
As torcidas organizadas do Fluminense ficarão no chamado Tobogã, arquibancada atrás do gol à direita da tribuna. Os rubro-negros ocuparão o setor atrás do gol à esquerda. Os ingressos para as áreas reservadas a cada clube custarão R$ 50 (meia-entrada a R$ 25). As arquibancadas laterais serão todas mistas, num total pouco superior a 14 mil lugares. Os preços nestes setores variam de R$ 60 a R$ 80. Se for necessário, um setor localizado do lado direito da tribuna, geralmente usado pela torcida visitante nos clássicos paulistas, será aberto para torcedores do Flamengo.
– Conversamos com a polícia e a federação e explicamos que, no Rio, este tipo de operação acontece sem problema – explica Bruno Spindell, gerente de marketing do Flamengo.
A segurança não será feita, segundo o dirigente rubro-negro, pelo Gepe, grupamento especial que cuida das torcidas cariocas. Caberá à Polícia Militar paulista.
Flamengo e Fluminense trabalham com uma expectativa de levar até 35 mil torcedores ao clássico. Se conseguirem, estimam uma renda líquida de R$ 400 mil para cada clube. A falta de casa tem feito os clubes buscarem alternativas para que as receitas de bilheteria não fiquem abaixo do orçado para 2016. O Flamengo, por exemplo, prevê arrecadar R$ 50 milhões com venda de ingressos no ano. Segundo Spindell, o clube tem conseguido “andar próximo” do projetado. Procurado através da assessoria de imprensa, o diretor de marketing do Fluminense, Marcone Barbosa, não quis se pronunciar.
Os desempenhos de ambos, quando comparados a outros times do Brasil em termos de público e renda do início do ano até agora, ficam muito abaixo em um ranking elaborado pela equipe de dados do Globoesporte.com.
O Corinthians lidera com média de 31.600 pagantes e renda bruta de R$ 8.706.522, seguido pelo Palmeiras (24.956/R$ 9.876.300), Grêmio (19.624/R$ 6.899.396) e Cruzeiro 16.309/R$ 1.630.183). O Fluminense aparece apenas em 18º (6.797/R$ 2.621.160) e logo abaixo, em 19º, o Flamengo (6.779/R$ 1.750.540). O sucesso dos primeiros colocados, sobretudo o líder e o vice-líder, pode ser explicado pelo sucesso da fidelização de seus programas de sócios-torcedores.
Ainda que o Fla-Flu seja um sucesso, os dirigentes entendem que é difícil que o Pacaembu vire palco frequente. No próximo domingo, nenhum dos grandes paulistas jogará na capital, algo difícil no Brasileiro.
– Nosso foco é Brasília, mas o Pacaembu pode se tornar opção – diz Spindell.
O custo também contribuiu para levar o jogo ao estádio. Um decreto municipal estipula teto de R$ 70 mil para o aluguel do Pacaembu. A venda de ingressos será aberta nesta terça-feira para os sócios-torcedores e, na quinta-feira, ao público geral.
Fonte: O Globo

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