“Vexame do Maraca: Odebrecht quer devolver, governo do RJ não aceita e Fla-Flu é jogado em Brasília”

É a vitória da hipocrisia. Do fingimento. A 31ª Olímpiada começará no dia 5 de agosto. No Rio de Janeiro. O principal palco será o Maracanã. Onde acontecerão a abertura e a cerimônia de encerramento, no dia 21 de agosto. Mas o estádio que representa o futebol brasileiro está fechado. Em 2016 só Carnaval, ‘Fextinha’ de música eletrônica. E Rolling Stones. Em abril, Coldplay.

A previsão é que o Maracanã só volte a ser usado por clubes brasileiros em outubro.
O Comitê Olímpico assumirá o estádio a partir de março.
O grande incentivador para espantar o futebol do estádio é justamente quem deveria brigar por ele. A concessionária que ganhou o controle do estádio. Mas ela não tem o menor interesse. Os motivos são importantes.
A Odebrecht está por trás dessa concessionária. A construtora está implodindo graças às acusações da operação Lava-Jato. Não tem mais o menor interesse em seguir administrando o estádio. Já avisou ao governo estadual do Rio de Janeiro. Só que o contrato assinado em 2013 tem validade por 35 anos.
O sonho de grande faturamento acabou há muito tempo. Administrar o estádio foi um péssimo negócio. O prejuízo em 2013 foi de R$ 48 milhões. E em 2014, chegou a R$ 77 milhões. A Odebrecht tem 95% do consórcio e a AEG, os outros 5%. A AEG acaba de se desligar da arena do Palmeiras. Negociava com o Morumbi. Mas seus representantes se mostram desanimados com a recessão brasileira e pensam em abandonar o país.
A estimativa no balanço de 2015 é de enorme prejuízo. Talvez atingindo a marca de R$ 100 milhões. O governo do Rio de Janeiro desde 2014 vem repetindo que não aceita simplesmente o Maracanã de volta. A Odebrecht e a AEG garantem que não há multa estabelecida em caso de devolução. O que seria uma estranha omissão no contrato. O governo carioca também não confirma a obrigação de multa.
Para a construtora, o problema é simples. A recessão fez o futebol brasileiro pobre de ídolos. E a população não tem dinheiro para desperdiçar. Rejeita pagar caro por espetáculos pobres. Os clubes alegam que os gastos são inviáveis com o Maracanã. Precisam gastar em média R$ 600 mil. E tentar ficar com o lucro. Mesmo nos clássicos isso deixou de valer a pena. Melhor levar para arenas como Brasília, onde os organizadores garantem R$ 1 milhão no mínimo para os clubes envolvidos. Como aconteceu entre Flamengo e Fluminense neste domingo. Válido pelo Campeonato Carioca, foi disputado no Distrito Federal. Fosse em Portugal, seria piada. Aqui é ‘gestão’.
A Odebrecht e a AEG se dizem traídas pelo governo do Rio. O acordo previa construiria estacionamentos e lojas nos locais onde hoje permanecem o Museu do Índio, o Parque Aquático Júlio Delamare, o Estádio de atletismo Célio de Barros e a Escola Municipal Arthur Friedenreich. As demolições, previstas no edital de licitação, acabaram depois sendo suspensas pelo então governador Sérgio Cabral. Com as lojas e os estacionamentos, a previsão de lucro anual era de R$ 19 milhões.
Mas devido à repercussão política negativa, o governo carioca voltou atrás. E proibiu as demolições, que estavam combinadas.
Os gastos de manutenção do Maracanã chegam a R$ 32 milhões anuais.
Por isso a hipocrisia de entregar o estádio em março. Mesmo com a Olimpíada marcada para agosto. O estádio está pronto. Foi reconstruído há três anos. Não haverá mudanças radicais para a competição. Só o ajuste político para que a construtora não perca mais dinheiro.
“É o maior espetáculo do planeta. A maior audiência esportiva da história é a cerimônia dos Jogos de Londres. Então, precisamos preparar essa cerimônia do jeito certo e com antecedência. Assumindo o Maracanã mais cedo, podemos fazer os ensaios maiores para a cerimônia de abertura. Desde 2014, estamos tentando negociar com o governo do estado para assumir o Maracanã mais cedo com foco na cerimônia”, diz o diretor de comunicação do Rio 2016, Mario Andrada.
Andrada faz seu trabalho bem. Por anos ele foi o responsável pela Nike na Seleção Brasileira. E sabe como usar as palavras para tentar disfarçar crises. Joga o jogo.
As cúpulas de Flamengo e Fluminense ficaram mais do que satisfeitas com a partida de ontem no Mané Garrincha. Os organizadores também. A renda foi de R$ 2.388.360,00. E 32.024 pagantes. Os preços cobrados foram entre R$ 60,00 e R$ 360,00. Para efeito de comparação. Fluminense e Tigres, pelo mesmo Carioca, levaram 799 pagantes a Volta Redonda. Os preços dos ingressos? R$ 20,00 e R$ 10,00.
A direção do Botafogo já avisou que também coloca à venda seus clássicos pelo Carioca. Joga onde for. Desde que a taxa chegue perto do R$ 1 milhão pago a Flamengo e Fluminense. O Vasco é o único que, por enquanto, não aceita sair do Rio de Janeiro no estadual.
Clássicos fora do estado de origem no Campeonato Nacional já é indecente. Por um torneio estadual é bizarro.
O presidente da Federação Carioca, Rubens Lopes, era contrário em janeiro a esses clássicos do Estadual fora do Rio. Mas teve de ceder. A Globo não queria mostrar os jogos em Macaé, Volta Redonda ou em São Januário. Transmissão difícil, estádios pequenos, ultrapassados. Péssima propaganda do torneio.
Rubinho apenas não quer o que seria a desmoralização total do Carioca. A disputa das finais e semifinais fora do Rio de Janeiro. Como em Manaus, Belém, Teresina, Brasília.
A Odebrecht e a AEG não querem nem pensar em tirar o Maracanã do controle do Comitê Organizador da Olimpíada. A solução está na liberação do Engenhão, que também servirá à competição.
A situação da organização do futebol do Rio de Janeiro é caótica.
Mistura incompetência com ingerência política.
E afasta o estádio mais representativo do Brasil do futebol.
Há a esperança que, depois da Paralimpíada (não se escreve mais Paraolimpíada) o governo carioca aja. E promova uma nova concorrência para o estádio. Livre a Odebrecht e a AEG do compromisso de mais 32 anos. Sem multa.

Seria fundamental que Flamengo e Fluminense se unissem de verdade.
E se comprometessem a administrar o estádio, já que não possuem os seus.
Esse é o sonho.
Para banir grupos aventureiros da administração do maior estádio do Brasil.
Fla-Flu, pelo Carioca, disputado em Brasília…
Maracanã fechado em fevereiro para Olimpíada em agosto.
É muita pouca vergonha…
Fonte: Cosme Rimoli

Comente com o Facebook:

Últimas Notícias: