A batalha pelo direito de
transmissão dos Brasileiros entre 2019 e 2023, na tevê fechada, está
sangrenta. Globo nunca teve tão forte concorrência pelos jogos exibidos
pelo Sportv. A Turner, dona da Esporte Interativo, resolveu entrar para
valer na briga. Desde o ano passado começou a tentar convencer os clubes
que não são privilegiados, não recebem as maiores cotas.
O Esporte Interativo tenta comer pelas
beiradas. Sabe que não ficará com todos os clubes. Pretende primeiro
implodir com o monopólio da Globo. Fazer estragos. Se levar, digamos,
oito times já será caótico. Mesmo que não sejam os de maiores torcidas.
Imagine quantos jogos não seriam mostrados.
A legislação brasileira não é igual como
alguns países da Europa. Quando há um clube ligado a uma emissora e
outro fechou com outra, o que joga em casa transmite. Aqui, não. Ou são
do mesmo canal ou ninguém vê o jogo.
Já é certo que Corinthians e Flamengo
seguirão com a Globo. Digamos que o Santos feche com a Turner. Ninguém
veria Corinthians e Santos ou Flamengo e Santos na tevê fechada entre
2019 até 2023.
Isso não é bom, principalmente para a
Globo, com a queda da audiência da tevê aberta para o futebol. Ou ela
paga mais, muda a distribuição de cotas. Ou se alia à Turner, hipótese
que os executivos, por enquanto, não querem ouvir falar.
Corinthians, Vasco, Botafogo, Vitória,
Sport, Cruzeiro, Atlético Mineiro e Fluminense já se acertaram com a
Globo. E assumem. Flamengo e São Paulo participaram das reuniões com a
Turner, mas também querem seguir com a emissora carioca. O Palmeiras
também. Assim como Goiás, Figueirense, Chapecoense.
Corintianos e flamenguistas são os
eternos satisfeitos. Ganham mais do que todos desde que acabou o Clube
dos 13. Têm mais jogos transmitidos na tevê aberta, o que facilita na
busca de patrocinadores mais fortes. E estimula as novas gerações de
torcedores.
Por serem mais populares, ganham mais na tevê fechada e no pay-per-view.
-Paulo Victor é o 5º jogador a há mais tempo em um clube; Confira a lista completa
O grande rebelde, aliado da Turner, é o Santos. A revolta é geral na Vila Belmiro. A partir desse ano, o clube embolsará R$ 80 milhões por seus jogos na aberta. Isso enquanto a Globo pagará R$ 170 milhões a Corinthians e Flamengo. R$ 110 milhões ao São Paulo. R$ 100 milhões ao Palmeiras e ao Vasco. Cruzeiro, Atlético Mineiro, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo, R$ 60 milhões. As outras equipes recebem abaixo desse valor.
O grande rebelde, aliado da Turner, é o Santos. A revolta é geral na Vila Belmiro. A partir desse ano, o clube embolsará R$ 80 milhões por seus jogos na aberta. Isso enquanto a Globo pagará R$ 170 milhões a Corinthians e Flamengo. R$ 110 milhões ao São Paulo. R$ 100 milhões ao Palmeiras e ao Vasco. Cruzeiro, Atlético Mineiro, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo, R$ 60 milhões. As outras equipes recebem abaixo desse valor.
“Sendo sincero. Os nossos torcedores
querem que a Globo vá para aquele lugar. Estamos sendo excluídos há
muito tempo. Temos certeza que haverá represálias. Mas estamos
decididos. Vamos assinar com o Esporte Interativo”, garantiu o
vice-presidente Cesar Conforti.
A proposta do canal esportivo brasileiro
da Turner é de R$ 600 milhões pelos vinte clubes. Divididos como
acontece na Champions. 50% igualitário, 25% audiência e 25% rendimento.
Além da garantia de fim de privilégio para corintianos e flamenguistas.
Eles teriam o mesmo número de partidas mostradas como os demais.
Além do Santos, Internacional, Bahia,
Atlético Paranaense e Coritiba já teriam se comprometido com a Turner. O
Santa Cruz também está interessado. A proposta teria ido aos Estados
Unidos. E, após o Carnaval, aconteceria a assinatura dos contratos.
Lógico que executivos globais não estão
de braços cruzados. Estão em contatos permanente com os dirigentes
rebeldes. A promessa é que a emissora também aumentará as cotas na tevê
fechada. Promete diminuir a diferença de dinheiro entre Corinthians e
Flamengo, assim como o número de jogos. Mas os dois seguirão sendo
privilegiados por terem as maiores torcidas, são mais viáveis
comercialmente.
E pode chegar perto dos R$ 600 milhões
oferecidos pela rival. Executivos sabem que, a tendência é irreversível.
Cada vez mais o futebol fará parte da tevê fechada. E menos da aberta.
A Globo alega que não será só ela quem
acabará prejudicada. Mas os próprios clubes rebeldes. Não terão seus
jogos transmitidos contra as equipes mais populares do país. Com serão
em menor número, aparecerão quando se enfrentarem. O que na prática os
deixará menos vistos. E menos atraentes para os patrocinadores.
Nas conversas não há ameaças explícitas
de represálias, como antecipou o vice santista. Mas está claro que a
emissora não terá grande interesse em mostra na tevê aberta o jogo
daqueles que a ‘traíram’.
A tevê aberta é uma grande aliada da
Globo. Não há interesse de nenhuma outra emissora comprar a briga. Não
depois da implosão arquitetada do Clube dos 13, em 2011. Bandeirantes e
RedeTV! não estão bem financeiramente. E só transmitem o que a tevê
carioca repassa a uma taxa muito baixa.
Os dirigentes ‘rebeldes’combinaram que
seguirão até o fim suas decisões. Só que até agora, ninguém assinou
papel algum. Só deixaram claras suas intenções.
Reside aí a maior esperança da Globo.
Conseguir convencer todos a ficar. Mesmo os mais decididos: Santos,
Coritiba e Atlético Paranaense. Deseja matar o mal pela raiz.
A Esporte Interativo pode até aumentar a
proposta. Como conseguiu entrar na NET, quer rechear sua programação
com jogos do Brasileiro. Porque existe a possibilidade de também comprar
o pay per view. Por enquanto, a Turner nega. E diz que só se interessa
pela tevê fechada. Por enquanto.
Vale lembrar que são três contratos diferentes.
Mas não será tão fácil. Embora tente
parecer neutra nesta questão, a CBF está do lado da emissora dos
Marinho. Será a ela quem terá de responder. Por isso não tem sentido a
promessa que os jogos do Brasileiro acontecerão às 20 horas a partir de
2019. Será obrigatória a concordância da Globo.
Publicitários ligados à tevê acreditam
que não será surpresa se os clubes recuarem. E a esmagadora maioria
assinar com a Globo. Alegam que, aquilo que eles queriam, já
conseguiram. Haverá um aumento para a tevê fechada e para o
pay-per-view. E também uma distribuição mais justa do dinheiro e do
número de jogos. Tirando o Atlético Parananense, ninguém tem experiência
em viver sem a Globo.
Por enquanto, os rebeldes juram que não vão recuar.
Mas eles precisam saber.
Já causaram estragos.
Há muita tensão na emissora dona do monopólio do futebol.
Desde o fim do Clube dos 13, a Globo não se sentiu tão ameaçada…
Fonte: Cosme Rimoli




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